Imita direitinho

Espera um pouco. Então quer dizer que esse tecido não é algodão?
Não, mas imita direitinho. É um poliéster três vezes mais fino que fica oito semanas em banho de hidratante para dar a mesma sensação de toque do mais fino algodão.

Espera um pouco. Então quer dizer que isso aqui não é madeira?
Não, mas imita direitinho. É um compactado de lixo plástico reciclado imerso em substâncias químicas que o faz parecer mais madeira que a própria madeira.

Espera um pouco. Então quer dizer que isso aqui não é frango empanado?
Não, mas imita direitinho. São os ossos de coelho triturados que, depois de colocados no ácido, adquirem a leveza e consistência perfeita para serem imersos na essência artificial de carne de frango. Fica mais saboroso que o próprio frango, não?

Espera um pouco. Então quer dizer que isso aqui não é minha vida?
Não, mas imita direitinho. É um conjunto de redes sociais de textos, fotos e vídeos que passam por uma filtragem tornando-a muito mais feliz do que realmente é.

Entendi. Me empresta dez reais?

Não tenho dinheiro, mas tenho esse cartão de crédito. Imita direitinho. Quer?

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Más escolhas

Dia quente. Sorvete. Não estava de dieta nem nada, mas achou melhor comprar o potinho pequeno. Nata e chocolate, só isso mesmo. Se queria experimentar o novo sabor da casa, manga com bolacha? Não, obrigada. Inovar parece meio arriscado quando o assunto é sorvete, melhor manter a tradição.

Tinha uma sala com mesinhas na parte de trás do estabelecimento, mas preferia sentar ali na praça. E lá foi, sentar na praça, como preferia. Deu uma, duas, três colheradas no sorvete. Quando ainda estava terminando de amassar com a língua a mistura de nata e chocolate no céu da boca, sem ela perceber, um casal sentou ao seu lado, como se o banco fosse só deles. Começaram a discutir em tom bem baixo, mas intenso.

Eu te dei aquela camisa e você usou quantas vezes? Uma? É muito deselegante da sua parte desprezar meu presente. Mas não desprezei, só não tive oportunidade de usar. O sorvete estava tão bom, se não fosse a discussão inútil, muito interessante e extremamente alheia, teria terminado bem antes. Ah, sim, é muito difícil achar uma oportunidade para usar uma camisa azul, Jonas!. Alguns segundos de silêncio. Deveria ter comprado um sorvete tamanho grande. Mais três colheradinhas e esse já era. Não teria desculpa pra ficar ali no banco. Será que ele não ia falar mais nada? A mulher quebrou o silêncio. Já sei, vou deixar só a camisa azul lá em casa, assim quando você for dormir lá, não vai ter desculpa pra não usar. O homem respondeu, uma resposta longa, mas não dava pra ouvir direito. Ele estava de costas, falando mais baixo ainda. E aquela criança no parquinho não parava de gritar. Maldito timbre masculino. Ah, então é assim? Foi um presente, Jonas, eu uso todos os presentes que você me dá. Todos. Até quando não gosto. Quer que eu pare de usar?. Ele respondeu, e de novo não dava pra ouvir. A última colherada já estava toda derretida, que droga.

O moço balbuciou alguma coisa, a moça respondeu outra coisa, ele balbuciou de novo, a moça falou. Será que essa criança não vai parar nunca de gritar? Odeio criança que grita. Os dois se mexeram no banco e levantaram. Com o restico do sorvete já todo parecendo diarreia de nenê, ela finalmente conseguiu ver a cara dos dois. De mãos dadas, foram indo embora devagar, conversando tranquilamente. Eles estavam muito bem vestidos, tirando o sapato do moço, que parece não ter percebido que não estamos mais nos anos 80.

Com a última gota de chocolate na língua, concluiu: seria melhor ela ter dado um sapato novo pra ele, não uma camisa.

MC Shakespearinho

Lembra quando te escrevia cartas? Hoje em dia é só bilhetinho malacabado no post-it genérico da cozinha e olhe lá. Pior mesmo é quando o “te amo” vem depois do “lembra de pegar o guri na escola”. Já fui mais romântica. Já soube te mimar. O tempo melhora muitas coisas, minha pele e seu cabelo, por exemplo, mas parece que quando o assunto é memória e romantismo, aí a coisa pende pro outro lado.

Meus livros de poesia antiga ficaram na casa dos meus pais. Pena, poderia ter me inspirado neles pra escrever isto pra você. Os poetas contemporâneos só sabem falar de cidade, problema, política. Isso também é importante, e não são todos, eu sei, meu momô… mas quando o assunto é amor, falta-lhes aquela idealização piegas e encantadora. Aquela sacanagem em forma de metáforas tão perfeitas que parecem virginais, de uma pureza incontestável. “A gota de orvalho que tocou tua pétala, ó, bela rosa”. Sei. Esse orvalho e essa pétala aí…

Hoje a gente acha isso brega, fútil. Mas olha que cuidadoso, que agradável aos olhos e ouvidos. Tinha Shakespeare, não MC Shakespearinho. Tinha beijos suaves ao luar, não mata-leões no rodeio.

Não sou boba de achar que só tinha coisa linda, suave e fofucha no passado e que só agora a humanidade resolveu esculhambar, mas né? Pelo menos o pessoal fazia uma forcinha.

Enfim, vou tentar ser mais romântica daqui pra frente. E essa aqui em baixo será a primeira de muitas cartinhas de amor que não estarão na cozinha. Vou deixar no seu travesseiro:

Carta de Amor 1

“Você é o homem que eu pedi a Deus!

Na verdade, o homem que eu pedi a Deus era pior que você. S2

Te amo.”

P.S: Acabou o pão.

Costume

Visitava a livraria mais famosa da cidade todos os dias depois do almoço. Lavava bem as mãos, pegava o livro da vez na prateleira dos Clássicos da Literatura e ficava 1 hora cravada lendo até a página que desse. Depois, é claro, o devolvia no lugar exato. Deixar em qualquer seção e sair seria indelicado. Com o tamanho do lugar, era possível que os vendedores, trocados a cada seis meses, nem percebessem sua presença constante abundada em uma das quinze poltronas do “Cantinho da Leitura” – nome bastante criativo, por sinal.

Mesmo sabendo que a metragem quadrada da livraria diminuía as chances de perceberem sua presença, fazia tudo com muita discrição. Seria um inferno ter alguém incomodando seus momentos mais sublimes da semana. O problema é que a probabilidade de um incômodo ocorrer pairava no ar, e não deu outra.

Anos atrás, depois de um senhor tocar seus ombros pra perguntar onde era o banheiro em plena página 48 do Flaubert, ela teve que criar uma persona, a persona da livraria, inspirada naqueles professores de artes que parecem não saber da existência do pente de cabelo, mas conseguem encontrar, em pleno século 21, papetes de velcro pra comprar. Papetes aventureiras de velcro. Velcro. Velcro aventureiro. Normalmente acompanhadas de uma calça estampada adquirida na Índia, ou na feira da Calixto. Ninguém além de alunos ou amigos próximos parece incomodar essas pessoas para pedir atenção ou informação.

Ela não tinha alunos, nem amigos próximos que estariam numa livraria em horário comercial. Perfeito. Com o nascimento da persona, ninguém mais a cutucou.

Agora, por que essa trabalheira toda? Por que fantasiar-se de professora de artes? Por que uma livraria em vez da Biblioteca Central? A prateleira escolhida era sempre a dos clássicos. Clássicos existem aos montes na biblioteca, que com certeza seria um local mais silencioso e vazio. Não haveria perigo de surgir toques nos ombros, a placa apontando o banheiro era bem grande: BIBLIOTECA CENTRAL – TOALETES ↓.

Ela já tinha tentado se acostumar com a Biblioteca, mas o barulho constante da livraria ajudava na concentração. Barulho de menos a fazia ouvir os próprios pensamentos. E não havia nada mais desagradável do que lidar com eles durante uma leitura. Na verdade, não havia nada mais desagradável do que lidar com eles. Ponto.

Questão de Saúde

Que notícia maravilhosa. Gostaria muito de abraçá-lo, querido, mas não posso soltar este sanduíche.

O sanduíche era de mortadela de boa marca com molho de azeitonas e rúculas frescas. Não é cabível parar para abraçar quando se tem um sanduíche desses nas mãos. Justo. Não abraçou, jurou com poucas palavras que, apesar da falta de abraço, seu coração estava repleto de carinho e deu uma lambida no molho que estava pra cair.

Preciso ir, querido, obrigada por ter vindo almoçar comigo.

Querida, um beijinho pelo menos.

Ah, claro…

E foi assim que naquela tarde o mundo presenciou o beijo mais rápido e desajeitado desde o selinho entre Silvio Santos e Gilberto Gil.

Percival estava acostumado com mulheres carinhosas, daquelas que ou jogariam o sanduíche no chão e correriam para abraçá-lo, ou amassariam a mortadela nas costas dele. Na verdade, aquilo de mulher que come mortadela em vez de peito de peru, que faz baliza muito bem sim senhor e que diz que não precisa de nenhum barbudo lento pra instalar o forno novo o assustava. Não de um jeito ruim. De um jeito esquisito.

Não sou contra homem, amo homens. Só digo que viveria sem se fosse o caso. E sem as mulheres também, então não venha me chamar de feminista.

Não sou a louca the flash pedindo pra todo mundo sair da frente. Só tenho mais o que fazer. E mais ainda agora que recebi essa mensagem, então com licença.

Marieta era assim, assado e tudo. E nada. Mais nada que tudo.

Com ela não tinha essa de bom dia boa tarde boa noite tudo bem tudo e você, era preciso ser direta, focada, prática, decidida.

E se formos parar para pensar, esse negócio de fazer tudo de maneira rápida e eficiente era para ela, na verdade, uma questão de saúde: perda de tempo causava perda de mais tempo que despertava um receio de uma possível perda de mais tempo que gerava prisão de ventre. E prisão de ventre… prisão de ventre não, por favor.

Análise da Obra

Passou pela porta e sentiu a energia artística pulsar em seu coração. A galeria era simples, os artistas não tão conhecidos, mas muito talentosos. Foi andando pelas salas, observando, explorando, até que parou. Uma escultura em ferro do tamanho do seu antebraço, a única da galeria, chamou sua atenção.

A imagem de uma mulher, nua, deitada de barriga para cima em posição de meia ponte, como se estivesse tendo muito prazer, ou muita dor. Sabe-se que a diferença é sutil.

Analisou os detalhes do rosto, as linhas quase realistas, os seios, as pernas, o elemento preso a uma delas. O que seria aquilo? Parecia uma trava de bicicleta. Não, espera. Um grilhão? Um grilhão moderno, branco, de plástico bem trabalhado.

Deu dois passos para trás para poder visualizar o todo.

Que crítica maravilhosa ao mundo moderno. Nós, nus, presos à modernidade, aos nossos objetos tecnológicos, à plasticidade da vida, ao petróleo, ao dinheiro. Nós, imóveis, congelados, duros e frios como o ferro ante a tecnologia que nos cola ao chão, que prende nossas pernas, nossa imaginação. E a mulher, aquele prazer de ter, prazer de fazer parte de uma Era repleta de facilidades. Aquela dor, aquela cela em que nos colocamos, a morte do eu, do outro, do humano. É só plástico. Somos só ferro.

Ela precisava levar aquela obra para casa, que genialidade! O preço assustava, mas valeria a pena.

O galerista levou a escultura até a mesa. Débito ou crédito? Aceitam cheque? Claro, pode ser em 3 vezes.

Só um minutinho. O galerista virou a escultura de lado e

Cléc.

Ela engoliu seco. Seu coração parou por alguns segundos. O grilhão…

O grilhão na perna da escultura era apenas a etiqueta magnética de segurança da galeria.

Terminou o cheque com a mão tremendo. Era muito grande a dor da perda de significado.

E muito chato isso das etiquetas terem designs novos. Confundem a gente.

Chefia

Fim do expediente. Entrou na sala. Os móveis eram elegantes, mas a janela era pequena demais para o tamanho da parede. E aquela planta… de verdade ou de plástico? Não interessava.

A mulher estava abundada na cadeira giratória, daquelas com o encosto grande e miseravelmente desconfortável para pessoas com menos de um metro e setenta. Ela tinha um e cinquenta e seis. Um cigarro na mão. Apagado.

Fogo, Senhora?

Não preciso de fogo. Em nenhum dos sentidos. Estou tentando parar de fumar. Do vício químico já me livrei, mas não do físico.

Tem aqueles cigarros eletrônicos.

Coisa de babaca.

Perdão. A Senhora me chamou?

Ela deu um trago no cigarro apagado e soltou o ar lentamente para o lado direito. Era um privilégio poder fumar em qualquer lugar.

Silêncio.

Preciso que você diga ao encarregado do almoxarifado que o último dia dele é sexta que vem.

Senhora, ele foi contratado dia 7.

Pela primeira vez ela fixou seus olhos nos olhos dele. Tragou de novo, olhando, segurou o ar na boca, olhando, levantou da cadeira, olhando, chegou na cara dele, olhando, e  Pfhu!, soltou o bafo. O cheiro não tinha nicotina. Talvez fosse melhor se tivesse.

Sexta que vem.

E apontou o bico do cigarro pra porta.

Ele deu as costas e tocou na maçaneta.

Ei, vire pra cá.

Silêncio.

Bela gravata.

Mas eu não estou usando gravata.

Pois deveria.

E sentou.

Subversão Insana

Os dias não eram agradáveis. Nada parecia acolher a vida naquela cidade. O tempo era diariamente propício para que Hitchcock gravasse com notabilidade os seus devaneios. As cores eram opressivas, se é que havia cores. As músicas eram pesadas, se é que havia música.

As pessoas não eram afáveis. Ninguém parecia ter vida naquele grupo. O comportamento de todos parecia cuidadosamente estudado em textos de Poe, e eximiamente interpretado.  As relações eram complicadas, se é que havia relações. As palavras eram grosseiras, se é que havia palavras.

Uma vez por mês os moradores se reuniam no único auditório construído na cidadela. As autoridades tomavam cuidado para que aquela sensação de esmorecimento fizesse parte de tudo, nos mínimos detalhes. Nas paredes mofadas, nas cadeiras manchadas de vermelho apodrecido e no ritmo constantemente lento de meia dúzia de goteiras espalhadas pelo espaço. Naquele dia a discussão era tão séria quanto todas as outras. Iriam ou não permitir a eutanásia do dono da adega da cidade?

Ingrid estava lá, na cadeira em frente ao senhor que levantou a mão para revelar o que pensava sobre o assunto. Na metade do discurso do homem, com todos os olhos vindo em sua direção, Ingrid esboçou um sorriso de canto de boca.

Os homens ficaram horrorizados! As mulheres estarrecidas! A situação não permitia. Nada permitia aquela atitude. Nunca, em décadas, ninguém havia esboçado um sorriso, muito menos em público, em uma audiência no auditório. Desrespeito! Subversão! Insanidade!

A eutanásia do dono da adega foi esquecida. Ingrid foi empurrada para o palco. Decidiriam ali a eutanásia dela, que nem em coma ou doente estava. Era proibido se defender. Quem, em sã consciência, esboçaria um sorriso? Ela só podia estar louca. Era uma rebelde. Que seja morta! Que seja indiscutivelmente morta.

Ingrid chegou ao seu epílogo trágico.

A causa? Um pum. Porque quando uma mulher está sentada e o pum silencioso corre serelepe até a periquita fazendo cócegas, não há músculo risório que consiga ficar parado.

Volume Máximo

Graziela é uma mulher e, como todo ser com seios e tara por sapatos, tem suas esquisitices e características dominantes. Uma delas é a potência. Como Graziela grita! Tudo que ela fala chega aos ouvidos como a imagem de um e-mail inteirinho escrito em Caps Lock. Graziela consegue emitir vibrações intensas pelo ar, a poeira é seu microfone ligado a uma caixa no volume máximo. Sua grandiosidade não está na estatura, nem no cabelo, nem no salto. Está na voz.

Graziela mora sozinha, mas seu vizinho jura de pés grudados que ela parece viver no mesmo recinto que ele. Graziela trabalha com muitas pessoas, mas seu colega de trabalho jura de mãos coladas que ele parece trabalhar só com ela.

Só ouvimos sua voz, dizem eles. É difícil conviver com ela, dizem eles. Ela parece ser bastante sozinha, dizem eles. Nunca vimos sua família.

Certo dia, um pouco menos não precisamente no dia vinte e seis de fevereiro de um ano dois mil, o vizinho sentiu que ela realmente não morava com ele. No mesmo dia, seu colega de trabalho sentiu que, sim, muitas pessoas trabalhavam com ele. Aquele silêncio, apesar de calmante, causou estranhamento. Cadê Graziela? GRAZIELA! CADÊ A GRAZIELA?

Graziela tinha se calado. E não voltaria a falar.

O último grito de Graziela foi dado lá, com seus amigos tarjados de preto na poltrona mal iluminada de seu quarto. Seu último grito, o mais alto de todos, foi silêncio. Ninguém a ouvia em vida, apesar dos gritos. Ninguém a ouviu em morte, apesar do silêncio.

Que quietude, disseram eles. Ela era uma boa pessoa, disseram eles. Triste não ter quase ninguém em seu velório, disseram eles. Então aquela senhora é toda sua família?

Ela deve estar mais contente agora. Dizem que os mortos são mais acolhedores.

 

Pequerruchos

Crianças são os seres mais imprevisíveis da Terra. Sua amiga carente com problemas amorosos não é nem páreo para esses pequenos adoráveis rascunhos de gente.

Criança chora gritando, chuta coisas sem razão, rabisca a parede recém-pintada com a raiz da sua planta preferida. Criança canta, lambe a mão da gente, fica assistindo o outro levar bronca com o dedo enfiado no nariz. Criança dança, trupica no próprio pé, pergunta na cara do seu chefe por que ele tem esse nariz enorme. Criança baba, sai correndo pelada pela casa, desenha cachorro que parece um bolo mal assado. Criança prefere encher a boca com aquela areia nojenta do canal da praia a comer aquela verdura bem fervida e temperada que você preparou. Criança é um pouco nada, e é um pouco tudo. Ela não sabe nem ler, mas às vezes fala algumas coisas que deixariam o capiroto duvidar dos próprios chifres.

A pequena com meia década de vida veio andando e ficou de costas do meu lado. Abriu o pote de cookies, enfiou as mãos lá dentro e, de repente, parou de se mexer. Senti uma energia estranha, uma vibração preocupada. O relógio bicou tique-taque. Os dois cookies ainda estavam nas mãos. Ela virou o rosto para mim com os olhos semi-arregalados. Desesperados. O nariz e a boca formavam uma expressão amassada. O lábio inferior estava mais para cima do que deveria. Depois de uma pausa dramática, finalmente disse:

“Vomiteizinho e engoli. Que nojo!”

E voltou saltitante para a sala sem tampar o pote. O desenho da menina com nome de fruta não podia esperar.